Convicções Religiosas – o que eu penso sobre o que eu creio

Em um grupo de que participo, com blogueiros estrangeiros, há uma série de dicas e sugestões de escrita e alguns temas para nos estimular a escrever. Os “prompts”, ou temas usados como gatilho para estes exercícios são divididos por temas e o do mês de setembro é opinião. O tema escolhido para hoje é: Você tem opiniões fortes? Conte-nos sobre uma delas. Por isso, resolvi falar sobre as minhas convicções religiosas.

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Em um primeiro momento, eu pensei em escrever uma lista de coisas sobre as quais tenho opiniões fortes, pois embora eu demore pra ter uma opinião formada sobre algumas coisas, assim que me convenço, é complicado me fazer mudar de ideia. Não sou inflexível e aceito mudar de opinião, mas o argumento precisa me convencer de verdade.

Mas, para seguir o exercício do jeito certo, tenho que escolher apenas uma delas, então resolvi falar sobre a minha convicção religiosa e as opiniões fortes que tenho a esse respeito. Sou cristã, protestante, recentemente ingressei em uma igreja presbiteriana e gosto muito de estudar temas relacionados à teologia, ainda que apenas em casa, baseando-me em artigos de blogs confiáveis. Vou à igreja desde criancinha, com algumas pausas entre uma igreja e outra, pois, justamente por minhas opiniões a respeito de alguns assuntos, acabei mudando de uma para outra até chegar onde estou hoje. Ao longo de todo este caminho, foi possível formar algumas opiniões que, por mais que eu não entre mais em debates para defender, não vou mudar por ouvir quem pensa de forma diferente.

Como a ideia inicial era fazer uma lista, trouxe este formato pra cá e, dentro do tema “convicções religiosas”, vou listar as principais.

  1. A Bíblia é a Palavra de Deus: Embora muitos amigos tenham a mesma convicção que eu, tenho muitos outros que pensam diferente. Alguns acham que é um livro de mitos, outros acham que é apenas mais um livro religioso, outros um compilado de histórias com lições de moral. Para mim, é o livro onde está revelado o propósito de Deus para a vida do ser humano, desde o relato da criação, a queda do homem, o plano estabelecido para a sua redenção e as profecias relacionadas à consumação deste plano no futuro. É o ápice da revelação de Deus, que já havia se revelado de outras formas, e que agora já está completa. Claro que esta não é uma definição técnica nem acadêmica, mas já expressa a minha opinião sobre a Bíblia e sua importância para mim. Já tive conversas com amigos e professores, inclusive na época da faculdade, que tentaram me dissuadir de acreditar nela, mas nunca conseguiram. Esse é o tipo de coisa que já está bem enraizada em mim e é uma opinião bem forte!
  2. Monergismo: Eu poderia ter escrito Calvinismo? Poderia, mas vamos ser justos. Embora eu tenha encontrado os e-books das Institutas e tenha começado a ler o primeiro volume, ainda estou nos primeiros capítulos. Não posso afirmar com todas as letras e uma fortíssima convicção que concordo com toda a maneira de pensar de Calvino. O que eu posso dizer, e vou fazer sempre, é que sou monergista no que se refere à questão da salvação do homem. Ou seja, eu creio que no que diz respeito à salvação, Deus é quem faz tudo, sem deixar nada para o ser humano, ou seja, é uma obra 100% de Deus sem nenhuma participação do ser humano, nem mesmo em relação à sua vontade. Esse tema foi algo que eu demorei quase a vida toda até agora pra entender, mas uma vez que isso tudo fez sentido na minha cabeça, não consigo pensar de outra forma. A convicção, nesse caso, se tornou tão forte, que já resultou em algumas discussões – umas produtivas e outras totalmente horríveis e que me magoaram muito – mas sempre que me perguntarem o que eu penso, vou ter que correr o risco!
  3. Não existem apóstolos hoje: Mais uma daquelas opiniões fortes que não soam muito bem aos ouvidos de algumas pessoas que eu conheço. Na minha opinião, para ser um apóstolo, a pessoa deve ter sido chamada diretamente por Jesus Cristo, ter sido testemunhas oculares da sua morte e ressurreição, ter recebido ensinamentos diretamente de Jesus. O que leva a uma opinião forte dentro dessa opinião, que é a de que os apóstolos de hoje em dia (sei lá quantos mil só no Brasil) não são apóstolos verdadeiros.
  4. É importante estudar teologia: a ideia não é todo mundo se enfiar num seminário, nem fazer trezentos cursos de matérias apenas teóricas. O que eu acho essencial é estudar os fundamentos da fé, os princípios de interpretação bíblica, as principais histórias bíblicas e os temas essenciais para a fé cristã. Ler bons livros escritos por pastores, teólogos, ter curiosidade e se aprofundar no estudo de passagens mais difíceis é importante não só pra fortalecer a nossa fé, mas também para sabermos falar sobre o que cremos.

Bom, essas são algumas coisas que eu acho muito importantes, relacionadas ao que eu creio. Não são todas, até porque há coisas que eu deixei de mencionar aqui e que são igualmente essenciais para mim. Mas só por estes que listei já dá pra ter uma ideia. Recentemente eu acabei me desvinculando de algumas instituições, que inicialmente eu apoiava e igualmente defendia, mas que com algum estudo, acabei formando uma convicção diferente e hoje tenho um pensamento bem mais consolidado – e contrário a essas instituições. Por isso, há uma série de pensamentos e opiniões que, embora fortes, ainda estão muito recentes e eu prefiro deixar pra falar sobre elas depois que a poeira baixar um pouco.

Mas, agora quero saber de você. Você tem opiniões fortes? Conte-me sobre uma delas. Ou então fale sobre o que eu escrevi, mantendo aquele princípio básico do respeito à minha crença, ok? Vai ser ótimo interagir com você aqui.