[Resenha] O Inferno de Gabriel – Sylvain Reynard

O Inferno de Gabriel

Título: O Inferno de Gabriel

Autor: Sylvain Reynard

Editora: Arqueiro

Ano: 2013

Páginas: 642

A salvação de um homem. O despertar da sexualidade de uma mulher.

Enigmático e sedutor, Gabriel Emerson é um renomado especialista em Dante. Durante o dia assume a fachada de um rigoroso professor universitário, mas à noite se entrega a uma desinibida vida de prazeres sem limites.

O que ninguém sabe é que tanto sua máscara de frieza quanto sua extrema sensualidade na verdade escondem uma alma atormentada pelas feridas do passado. Gabriel se tortura pelos erros que cometeu e acredita que para ele não há mais nenhuma esperança ou chance de se redimir dos pecados.

Julia Mitchell é uma jovem doce e inocente que luta para superar os traumas de uma infância difícil, marcada pela negligência dos pais. Quando vai fazer mestrado na Universidade de Toronto, ela sabe que reencontrará alguém importante – um homem que viu apenas uma vez, mas que nunca conseguiu esquecer.

Assim que põe os olhos em Julia, Gabriel é tomado por uma estranha sensação de familiaridade, embora não saiba dizer por quê. A inexplicável e profunda conexão que existe entre eles deixa o professor numa situação delicada, que colocará sua carreira em risco e o obrigará a enfrentar os fantasmas dos quais sempre tentou fugir.

Primeiro livro de uma trilogia, O inferno de Gabriel explora com brilhantismo a sensualidade de uma paixão proibida. É a história envolvente de dois amantes lutando para superar seus infernos pessoais e enfim viver a redenção que só o verdadeiro amor torna possível.

O que eu achei de O inferno de Gabriel?

Quando O Inferno de Gabriel foi lançado causou o maior rebuliço entre os leitores. Veio junto com a onda de eróticos que foram escritos e publicados a partir do fenômeno Cinquenta Tons de Cinza e, com isso, as comparações eram inevitáveis. Havia gente que amava e gente que odiava essa nova trilogia.

Com isso, e com o fato de os demais livros estarem pendentes de publicação, acabei deixando para ler depois. Assim, escapava (ou esquecia) os spoilers e fugia da regra de comparar este com outros livros do mesmo gênero.

Agora, depois muitos eróticos publicados e de uma folga bastante longa em leituras do gênero, eu estava pronta para ler O Inferno de Gabriel. O livro conta a história de Julianne Mitchell, uma estudante de mestrado na Universidade de Toronto.  O professor dela, Gabriel Emerson, é um homem extremamente sexy, dotado de olhos azuis arrebatadores e um charme de deixar qualquer mulher aos seus pés.

Gabriel era especialista em Dante, a matéria estudada por Julia, a atração se torna inevitável, mas com um tempero adicional. Julia já havia conhecido Gabriel no passado, mas aparentemente ele não se lembrava dela. A princípio rude e insensível, transtornado pela presença de Julia em sua sala de aula, os momentos em que interagiam era pura troca de farpas e grosserias de ambas as partes.

Gabriel era rico e elegante, mas praticamente um rinoceronte no trato com Julia. Reconhecido por onde ia e cheio de prestígio na Universidade, pelo conhecimento que detinha, acabava passando por cima de muita gente e era especialmente conhecido por seus alunos pela falta de trato social.

Julia era uma moça doce e delicada, tímida e completamente insegura, com fantasmas do passado que a assombravam e a faziam querer correr para se esconder, constantemente. Massacrada pela grosseria do professor ao mesmo tempo em que atraída pela sua beleza e pelo mistério que ele também escondia, ela muitas vezes quis desistir do seu sonho e abandonar o curso.

Entretanto, com o tempo Julia e Gabriel se aproximam e começam a se conhecer melhor. Algumas peças do quebra cabeças são encaixadas e seus fantasmas aparecem o tempo todo no meio desse relacionamento que não tinha nada de calmo. A atração dos dois, porém, é bastante forte e o sentimento de Julia por Gabriel faz com que ela queira desvendar os mistérios que ele esconde, deixando-os cada vez mais vulneráveis um para o outro e livres para se apaixonarem.

O Inferno de Gabriel é narrado em terceira pessoa, mas com um narrador onisciente, que transmite ao leitor os desejos e pensamentos de todos os personagens envolvidos na história. Essa técnica deixou a leitura bem interessante e instigava a curiosidade, pois sabendo quais eram as reais intenções de um e de outro personagem era inevitável querer saber como os demais reagiriam, o que deu bastante velocidade à leitura.

A história de O Inferno de Gabriel é narrada de modo quase poético, dadas as citações de Dante e referências a músicas e textos mais elaborados, sem falar no jeito elegante do professor de conversar e até mesmo de discutir com Julia. Isso me deixou bastante fascinada com o livro.

Infelizmente, O Inferno de Gabriel é um livro que nasceu com base na fórmula dos Cinquenta Tons de Cinza, então podemos enxergar diversos elementos em comum, como: o cara rico, lindíssimo, sarado, ciumento, possessivo, superprotetor e dono de um temperamento explosivo e instável, além de um passado obscuro, e a mocinha virgem, tímida, emocionalmente frágil, desprotegida e vulnerável, com uma característica totalmente passiva e subserviente.

Apesar disso, o livro nem tem tantos elementos de sexo quanto eu pensei. É um romance bem quente, mas não explícito como os eróticos que tem surgido por aí. É lindo e sutil.

O Inferno de Gabriel me deixou com dois sentimentos contraditórios. Achei a construção dos mistérios e das histórias passadas dos dois muito boa, a forma como o livro é escrito e o vocabulário usado são elegantes, gostei das referências musicais e literárias, pois é um universo que me agrada. Mas ao mesmo tempo, com toda essa criatividade para elaborar uma trama tão complexa e amarradinha, achei que não teria sido necessário se utilizar de um casal tão clichê para compor a história.

Apesar disso, a leitura de O Inferno de Gabriel é recomendadíssima. Pelo menos do primeiro volume… para os demais, quando estiverem concluídas as leituras volto aqui pra dizer!