[Resenha] A Lua de Mel – Sophie Kinsella

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Título: A Lua de Mel

Autora: Sophie Kinsella

Editora: Record

Ano: 2013

Páginas: 496

Ao se dar conta de que o namorado nunca vai pedir sua mão em casamento, Lottie toma uma decisão. Termina o compromisso com ele e diz o tão sonhado sim a Ben, uma antiga paixão, com quem ela havia prometido se casar se ambos ainda estivessem solteiros aos 30 anos. Os dois então resolvem pular o namoro e ir direto para uma cerimônia simples e seguir para a lua de mel em Ikonos, a ilha grega onde eles se conheceram. Mas Fliss, a irmã mais velha da noiva, acha que Lottie enlouqueceu. Já Lorcan, que trabalha na empresa de Ben, teme que o casamento destrua a carreira do amigo. Fliss e Lorcan então elaboram um plano para sabotar a noite de núpcias do casal e impedir que os noivos cometam o maior erro de suas vidas.

O que eu achei de A Lua de Mel?

A Lua de Mel conta a história de Lottie, uma mulher que está doida para casar. Apaixonada por Richard, seu namorado, ela não vê a hora de ser pedida em casamento. Tanto que, um belo dia ela acredita que isso irá acontecer – finalmente! – e se produz toda, compra um anel de noivado para ele e deixa na bolsa, apenas aguardando o momento certo. Porém, o momento não chega, ele não a pede em casamento e Lottie, ao perceber que ele não tem nem mesmo a intenção de fazer isso, termina o namoro e cai em um círculo vicioso já bastante conhecido por sua irmã.

Fliss, a irmã de Lottie, tem um filho de sete anos e está em um complicado processo de divórcio contra Daniel. Ela passa seus dias anotando todas as ações e reações dele em um dossiê que mantém em um pendrive, pronta a entregar tudo para o seu advogado, a fim de desmoralizar Daniel e ganhar a disputa judicial. Seu filho, para piorar ainda mais as coisas, tem a mania de inventar para as pessoas histórias cabeludas sobre ele e sua família, tudo com a finalidade de chamar a atenção para si.

Porém, Fliss descobre que Lottie reencontrou seu ex-namorado da adolescência e que, de uma hora para outra, eles vão se casar. Fliss será a madrinha e Lorcan, o melhor amigo de Ben, será o padrinho.

Como a irmã super protetora que é, Fliss acha melhor tentar convencer a irmã de que esse não é o melhor jeito de dar um rumo diferente para sua vida. Para isso ela procurará todos os meios que entender necessários, inclusive aliar-se ao tal Lorcan, um advogado sério e obstinado, mas muito sexy, que acredita que Ben está colocando a carreira em risco ao insistir nesse casamento tão inesperado.

Ben, o ex-namorado que voltou do nada, diz sempre ter sido apaixonado por ela e que, depois de tantos anos, descobriu que era com Lottie que ele deveria ter ficado, desde o começo. Ele está determinado a se casar com Lottie, a despeito da opinião do seu amigo e, então, acaba a convencendo a se casar imediatamente, sem os padrinhos, sem festa, sem nada.

Fliss, então, é surpreendida quando Lottie chega com a novidade de que já se casou e que está indo passar a lua de mel em Ikonos, uma ilha grega, cenário do caso de amor que ela e Ben tiveram, quinze anos atrás. Já que não conseguiu evitar o casamento, Fliss agora parte em busca de todas as maneiras possíveis para evitar que a irmã consume o seu casamento com Ben, pois quer fazer a irmã entender que esse casamento é a maior furada da sua vida e, então, pedir a anulação do casamento.

Nessa empreitada ela se utiliza dos meios mais bizarros para manter o casal afastado, o que confere um tom bastante divertido ao livro, ainda que por alguns momentos, fiquemos com pena de Lottie e Ben. Lottie está feliz da vida por ter finalmente conseguido realizar o sonho de se casar, mesmo que esse casamento não tenha sido exatamente do jeito que ela sempre sonhou. Como o combinado foi que eles não fariam sexo até a lua de mel, ela não vê a hora de finalmente consumar o casamento e não consegue entender que azar é esse o deles, já que nada parece estar dando certo na lua de mel.

Ben parece que ficou estacionado no tempo, sempre lembrando e tentando reconstituir os momentos que eles viveram no passado na ilha. Mesmo tantos anos depois ele ainda quer viver uma vida sem planejamentos e sem programação definida e, muitas vezes, aquilo que ele sonha para ele não tem nada a ver com o que Lottie planeja. Ele também a deixa confusa com alguns comentários e lembranças de coisas sobre as quais ela não parece recordar. Mas ela está apaixonada, feliz por estar casada e louca para finalmente consumar o casamento com aquele homem tão sexy, que acredita que suas lembranças devem ter se perdido no meio de tantas coisas que aconteceram nesses quinze anos.

O livro A Lua de Mel tem, na verdade, as duas irmãs como protagonistas, de histórias aparentemente distantes e que, a partir de um determinado ponto, se entrelaçam para formar uma só.Para mim, a que mais chama a atenção é Fliss, seja pelas suas atitudes impensadas, apenas com a finalidade de salvar a irmã e mostrar que estava enganada com relação ao seu casamento, seja pela forma com que, sendo avessa a casamento, depois de tudo que passou com Daniel, ela é pega de surpresa pelo sex appeal mal-humorado de Lorcan.

O casal Lottie e Ben perde muito espaço em A Lua de Mel, quando comparados ao núcleo encabeçado por Fliss, já que eles se tornam alvo de todo o plano mirabolante dela. O leitor fica ansioso por saber o que é que Fliss vai fazer em seguida e se vai conseguir concretizar o seu plano. Além do que, mesmo com todo o cuidado para salvar a irmã, ela põe a si própria em tantas enrascadas que são de morrer de rir.

A Lua de Mel representou para mim uma melhora na impressão que eu tinha sobre a Sophie Kinsella. Li um outro livro dela de que não gostei, então eu havia resistido bastante, mas posso dizer que valeu a pena.

Mesmo com seu estilo descompromissado, a trama de A Lua de Mel pode nos levar a refletir sobre nossas escolhas, o que nos motiva a cada uma delas e os rumos que a vida pode tomar, dependendo do que decidirmos fazer.