Os méritos de Cinquenta Tons de Cinza

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Não, este não é mais um post sobre a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, nem sobre a adaptação desta obra para os cinemas. Já há informação demais na internet sobre isso, então, o que eu tenho pra falar vai ser um pouco diferente.

Eu li os livros. Conheço muita gente que amou, muita gente que odiou e uma legião de mulheres que ainda acham o Christian Grey incomparável. Eu gostei. Por diversos motivos, mas este não é o foco aqui.

Eu já vinha lendo como uma desesperada, desde quando descobri o iPad e o iBooks. Comecei a abastecer minha biblioteca com livros nacionais e internacionais, e que eu já queria ler há muito tempo. Aí, surgiu essa febre de Cinquenta Tons de Cinza e eu, claro, fui ler. Muitas amigas lendo, uma febre geral na internet. Li os três livros em duas semanas. Até aí nenhuma novidade.

O que eu achei muito interessante foi o efeito que esses livros tiveram em mim e na maioria das pessoas que leram a trilogia. A partir do gosto em comum pela trilogia, descobri diversos grupos de leitores no facebook e comecei a ser exposta a todo tipo de literatura. Começamos a trocar dicas de leitura, tanto no estilo erótico quando diversas outras categorias de romances, ampliando o leque de opções de todos nós.

Até fiquei com muita vergonha de mim mesma por ser uma usuária tão ativa no facebook e apenas ter descoberto os grupos de leitores no ano passado. E fiquei muito aliviada também, porque eu descobri que não sou uma aberração por gostar tanto de ler… nesses grupos há milhares de leitores, que leem muito mais do que eu! Fiquei impressionada com tanta gente lendo um livro por dia e ainda cuidando de todos os outros afazeres. Descobri que ainda tenho muito que aprender com essa legião de leitoras!

Vira e mexe, entre os leitores, surge a pergunta: desde quando você lê? A resposta me espantou. A esmagadora maioria das mulheres passou a gostar de ler depois de ter lido Cinquenta Tons de Cinza. E o que é melhor, passaram a consumir literatura, internacional e nacional, erótica e chick lit, dramas, suspense e etc.

Eu achei interessante, porque durante muito tempo, quem gostava de ler era considerada uma categoria à parte, pessoas com um gosto peculiar e raro. Mas depois da febre do CEO bilionário, lindíssimo e com preferências sexuais um tanto diferenciadas, muitos leitores se reconheceram e passaram a se agregar em grupos dentro e fora da internet, partilhando cada vez mais sobre esse gosto em comum.

Mais ainda, muita gente que antes não lia, por preguiça, falta de interesse, falta de hábito ou simplesmente por deixar isso pra uma outra hora, percebeu que por dentro daquele mundo de páginas tem histórias interessantíssimas e aí, quando a trilogia acabou, foram atrás de mais um e viram que sim, em cada livro é uma emoção diferente.

Ainda que a história de Christian e Ana desperte as mais variadas reações, até de gente que nem se dispôs a ler os livros – pasmem! – creio que o sucesso da obra foi um sucesso não só para a autora e editoras ao redor do mundo. Na minha opinião foi uma vitória para a literatura, para os novos autores, despertou uma vontade de ler cada vez maior e incentivou a produção de novas histórias. De repente, tanta gente gosta de ler, fala-se tanto em eventos literários, autopublicação, novos escritores, fanfiction…

Um brinde aos novos leitores, qualquer que tenha sido seu primeiro livro!