Resenha: O Teorema Katherine – John Green

O Teorema Katherine

Título: O Teorema Katherine

Autor: John Green

Editora: Intrínseca

Ano: 2013

Páginas: 304

Após seu mais recente e traumático pé na bunda – o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine – Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.
Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

 O que eu achei de O Teorema Katherine?

Colin Singleton, protagonista de O Teorema Katherine é um garoto de 17 anos, muito inteligente. Mais do que isso, é um prodígio. Ele tem uma inteligência acima da média dos garotos de sua idade e, além de ser o típico nerd, tem manias muito peculiares, como a de fazer anagramas com palavras e frases, além de ler muito e decorar facilmente.

Colin passou a vida tentando encontrar algo que o fizesse ser reconhecido como um gênio que fez algo relevante para a sociedade – seu “momento eureca”. Porém, quanto mais o tempo passa, ele pensa que as chances de isso acontecer estejam ficando cada vez menores. Coincidência ou não, Colin sempre namora Katherines. E elas sempre terminam com ele. Colin já passou por isso diversas vezes. Quando ele leva seu décimo nono pé na bunda, muito desconsolado com a vida, seu amigo Hassan o convence a fazer uma viagem de carro.

Nessa viagem, os dois amigos acabam indo parar em uma cidadezinha chamada Gutshot, no Tennessee, onde a trama se desenvolve e somos apresentados a Lindsey, Hollis (mãe de Lindsey) e aos amigos e o namorado de Lindsey. Esses personagens garantem momentos divertidos para a história, principalmente Hassan.

Hassan é o melhor amigo de Colin e o personagem mais divertido do livro. É um garoto muçulmano, que não pensa em fazer nada da vida, mas que gosta muito de Colin e sempre dá um jeito de animar o amigo. Ele tem tiradas engraçadíssimas e isso, em contraponto com a melancolia depressiva do Colin, torna os diálogos entre os dois algo genial.

Hassan e Colin ficam hospedados na casa de Lindsey e acabam conseguindo um emprego com a mãe dela, que é a dona da fábrica que mantém a maioria das pessoas da cidade, para realizarem uma série de entrevistas com essas pessoas. Lindsey e a mãe são completamente diferentes entre si e do padrão a que os garotos estão acostumados e por isso, o tempo que passam na casa delas também garante situações inusitadas.

É em Gutshot que Colin tem o seu tão esperado “momento eureca”. A partir da desilusão de seu último namoro, Colin resolve usar sua inteligência e habilidade com a matemática para elaborar um teorema que fosse capaz de identificar o mecanismo do amor, prevendo a duração do relacionamento e quem terminaria com quem (ele chama de “terminantes” e “terminados”). Ele vai testando sua fórmula em desenvolvimento com os dados de cada uma das dezenove Katherines e, a partir disso, podemos conhecer um pouco sobre cada uma delas. Também podemos entender um pouco mais sobre Colin, ao mesmo tempo em que somos confrontados com diversos questionamentos como a previsibilidade e a imprevisibilidade dos relacionamentos e sobre o que significa fazer algo que mude a humanidade.

Não se trata de um livro comum sobre um romance comum, por isso é que muitas pessoas não gostaram dele. Por se tratar de um romance nerd, O Teorema Katherine é narrado pela perspectiva de Colin e acredito que John Green foi absolutamente feliz nisso. Afinal, contar essa história em forma de um romance tradicional não seria justo com a singularidade de Colin, verdade seja dita.

Embora em muitos momentos não seja possível acompanhar totalmente o raciocínio do garoto em toda sua inteligência, somos capazes de captar a mensagem principal da história de O Teorema Katherine, apesar de todas as referências a fórmulas, gráficos e conceitos matemáticos. E para quem insiste em querer entender a matemática por trás do romance (e o romance por trás da matemática, se é que isso é possível), há notas de rodapé e um apêndice em que a lógica do Teorema criado por Colin é detalhadamente explicada.

Como dito pelo próprio autor, não é necessário entender matemática ou o cálculo que deu origem ao Teorema, porque, na verdade, o que John Green pretendeu e, em minha opinião, conseguiu de forma brilhante em O Teorema Katherine, é demonstrar por meio do Colin, algo muito mais sutil por trás de toda essa vontade de buscar um padrão para os seus namoros.

No fundo, Colin é só mais uma pessoa revoltada com o destino de sua vida amorosa e que tenta encontrar um meio de lidar com isso, e seu mecanismo foi a matemática. O meu e o seu pode ser o chocolate, uma garrafa de vinho ou uma ida ao cabeleireiro para mudar de visual, quem sabe?

Sendo assim, recomendo muitíssimo O Teorema Katherine, não só para os nerds de plantão, mas principalmente para quem gosta de histórias em que se deve ler nas entrelinhas e que conseguem enxergar o inusitado por trás de uma primeira impressão rasa.